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Política

 
 
ANÁLISE CRÍTICA DO RESULTADO DA ELEIÇÃO 2014 PARA PRESIDENTE: o retrato fiel do Brasil
*Por Lucas Vinhas

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Analisar o processo de "decomposição" da política brasileira, em tempos de país alienado, torna-se um assunto muito complexo em seus diversos elementos constituintes. A fim de se obter uma melhor compreensão disso, escrevo-lhes esse humilde desabafo. A crítica que me refiro aqui, principalmente na política, configura-se apenas como uma “charge política", com a função de comentar esse tema de forma clara e objetiva os assuntos relacionados a essa esfera. Em relação à metáfora do retrato, quero expressar apenas isso:
FIGURA 1 – Mapa da distribuição dos votos dos candidatos por estado.

mapa
Fonte: Imagem editada a partir do vídeo exibido no programa da Rede Globo Bom dia Brasil. Disponível em: <http://g1.globo.com/bom-diabrasil/noticia/2014/10/dilma-rousseff-e-reeleita-com-545-milhoes-de-votos-nosegundo-turno.html>. Acesso em: 27 out. 2014.

 

Resolvi escrever esse pequeno texto porque me senti inquieto quando vi diversos alienados defendendo e comemorando a reeleição da presidenta Dilma ontem. Sei que esse texto não terá relevância para muitos pois, como já disse, são alienados. Meu objetivo aqui é apenas desabafar o “indesabafável”, inquietar os “acomodados políticos” (eleitores e eleitos). Há estreita relação entre esse texto e outros, mais científicos, publicados na mesma área de conhecimento, tais como:


http://www.fafich.ufmg.br/halac/index.php/periodico/article/viewFile/104/153
http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rce/article/view/22152/20912
http://www.revistas.ufg.br/index.php/historia/article/view/29854/16497
http://dspace.bc.uepb.edu.br:8080/jspui/bitstream/123456789/3151/1/PDF%20-
%20Jo%C3%A3o%20Pedro%20de%20Andrade%20Filho.pdf
http://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/17139/14206
http://periodicos.univille.br/index.php/RCC/article/view/417/315
http://ava.facbrasil.edu.br/wpcontent/uploads/2014/10/ebook_meio_ambiente_e_desenvolvimento.pdf
http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/memorare_grupep/article/vie
w/2384/1695
http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/29260/1/Vanessa%20Ribeir
o%20Rodrigues.pdf
http://actacientifica.servicioit.cl/biblioteca/gt/GT13/GT13_MacedoRocha.pdf

Apesar de esses serem textos extremamente excelentes (recomendo todos a lerem), usarei aqui uma linguagem mais popular, para que possa me fazer compreendido por todos. No Brasil, em algumas regiões, os recursos naturais são utilizados como uma “ferramenta de governo”, atuando como “cabo eleitoral alavancador” das campanhas. Como exemplo, temos os dados do Trata Brasil – Saneamento é Saúde, que afirma que cerca de 40 milhões de brasileiros não são atendidos com abastecimento de água tratada, 51% da população não tem acesso à coleta de esgoto e 61% dos esgotos do país não são tratados (http://www.tratabrasil.org.br/saneamento-no-brasil). Há pouco tempo atrás o Brasil crescia economicamente a ritmo acelerado, comparado a de países como a China que, segundo especialistas, dentro de mais alguns poucos anos, se tornarão a maior potência econômica do mundo. Porém, o que vemos atualmente é um país que não cresce, fato extremamente preocupante, principalmente para os mais humildes, ou menos favorecidos (como preferirem a nomenclatura). Não tenho problema algum em escrever a palavra “pobre”; creio que o debate acerca da pobreza deve ir muito além do que simples modos de escrever ou falar. Falar em Socialismo ou até mesmo Comunismo no país, hoje, é uma utopia. Talvez até não necessitemos de uma transição no modo de produção, e sim numa reformulação do já vigente Capitalismo, visando uma melhor distribuição de renda e, além disso, taxas de inflação baixas, pois, sem isso, de nada adiantarão reajustes anuais crescentes do salário mínimo. Essa política bipolar entre vermelhos e azuis já foi testada e comprovada ineficaz para o país. Será que sou apenas eu que consigo enxergar isso? Não, apenas 6% dos eleitores (os que votaram em branco ou anularam). Agora acho que as coisas estão “clareando” para você, leitor desse texto. Ou seja, os não alienados politicamente representam uma minoria no Brasil. Então, como fazer a maioria ouvir a minoria?! De que adiantou irmos para as ruas em junho de 2013, protestarmos contra os gastos da Copa do Mundo em junho de 2014, expressando nossa indignação e insatisfação com os fatos histórico-políticos, e agora elegermos a mulher responsável por todas essas mazelas nos últimos 4 anos?! Historicamente, o discurso proferido pelos atores hegemônicos do Brasil são repetidos e legitimados na prática pelo povo. No discurso, abominamos certas atitudes dos políticos. Porém, na prática, legitimamos as mesmas coisas que eles fazem, por ser mais cômodo. Sair da zona de conforto, esse é o grande problema. A memória do brasileiro é muito curta. Elegemos políticos que já foram comprovadamente corruptos e, contra fatos não há argumentos. E o discurso que eles usam é: “Para mudar”; e nós, “bobos da corte”, acreditamos e legitimamos esse discurso subliminar através do nosso voto, elegendo corruptos. Lei da ficha limpa?! Apenas mais uma piada nacional. Precisamos refletir melhor sobre as propostas dos candidatos, e não apenas comparar. Porém, o brasileiro não é “treinado” para refletir, e sim, apenas para repetir. Repetir o que a maioria pensa, a ideia fraca, o vulgo “Maria vai com as outras”. Nas políticas atuais o meio ambiente e o desenvolvimento são “inimigos mortais”, parecendo que ambos são dissociáveis. Crimes ambientais são cada vez mais constantes no país. Não precisamos ir muito longe para comprovarmos isso. Aqui em Itajuípe eu posso citar, pelo menos, 7 crimes ambientais corriqueiros que passam despercebidos pelos olhos da população e, principalmente, dos governantes. E, após essa minha pequena revisão de literatura informal, vamos ao que interessa, o resultado da eleição. Dilma venceu em 15 estados e Aécio, em 11 mais Distrito Federal. A presidente reeleita foi mais votada no Amazonas, Pará, Amapá, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Aécio foi vitorioso no Acre, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Grosso modo, Dilma ganhou no norte e nordeste, e Aécio no centro-oeste, sudeste e sul. Coincidentemente, as regiões norte e nordeste do Brasil são as mais pobres do país. Refiro-me em pobreza de todos os sentidos, não apenas no indivíduo desprovido de recursos financeiros. Refiro-me nas maiores taxas de desemprego, violência e criminalidade, degradação ambiental, péssimos serviços de saúde e educação, alta desigualdade social e problemas habitacionais. Proporcionalmente, as regiões norte e nordeste são as piores do país nesses aspectos. Em contrapartida, as regiões centro-oeste, sudeste e sul, são as com melhores índices, inclusive de desenvolvimento humano. Logo, fazendo uma análise fria e calculista, a maioria dos eleitores da Dilma foram eleitores desempregados, criminosos, que não estão “nem aí” para a questão ambiental no país, que não são atendidos de forma eficaz nos serviços de saúde, de baixa escolaridade, que possuem renda familiar per capita menor que um salário mínimo e que passam por problemas habitacionais (moram na rua, de aluguel ou estão endividados com os juros da prestação do Minha Casa Minha Vida). Se você se enquadra nesse perfil, parabéns, você foi eleitor de Dilma. E, para poupar palavras, o contrário disso tudo, grosso modo, eleitor de Aécio. Fazendo uma análise crítica do resultado da eleição 2014 para presidente, pode-se constatar que ele retratou fielmente o que é o Brasil, muitos alienados pobres (em todos os sentidos) votando na Dilma na região norte e nordeste, alguns um pouco menos alienados e de classe média votando em Aécio no centro-oeste, sudeste e sul, e uma minoria crítica política consciente que anulou o seu voto em todo o Brasil. O eleitor não compreendeu, compreende e nem compreenderá de forma adequada e racional as questões envolvidas no fenômeno da política brasileira. Ele nunca assumirá uma postura coerente, nem tomará iniciativas eficazes no sentido de solucionar os problemas sociais do Brasil, pois esse tempo já passou, tentou voltar, mas, as urnas comprovaram que esse tempo realmente já passou e não voltará jamais. Desde já, me desculpem pelas fortes palavras. Espero que compreendam esse meu desabafo.

LUCAS

*Jean Lucas Vinhas Medeiros 

Especializando em Ensino de Geografia pela Uesc. Graduado em Geografia pela Uesc. Voluntário PET (Programa de Educação Tutorial) - PET Solos: agregando saberes.

Lattes: http://lattes.cnpq.br/4531440822192799

 



 

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