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Ponto de Vista

 
 
O momento político do Brasil
Por: Igor Góes

Igor Góes

 

JOESLEY BATISTA, nome que entrará para história do Brasil como um dos que abriu o capuz e mostrou como funciona o motor da política brasileira: empresas privadas financiando campanhas de partidos políticos em troca de favores, facilidades, perdão de dívidas e etc. A nada recente, nem surpreendente, relação política/capital.

Mais do que nunca ficou provado que o “grande acordo nacional”, que era botar o Michel para estancar a sangria, anunciado por Machado e Jucá, foi orquestrado pelos apavorados com “os avanços das investigações para o lado que não podia” – o deles. Mas como o clima de impunidade não poderia permanecer, foi necessário tentar “estabilizar o motor” apontando para uma peça solta: o PT.

Montou-se o “showpeachment” liderado por Eduardo Cunha, transmitido em rede nacional, que serviu para duas coisas: para os deputados gritarem “Sim” – que queria dizer “Vai ficar tudo bem. O ‘grande acordo nacional’ vem aí! ” –; e para ferir o estado democrático de direito.

Sim. O impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe. Armado premeditadamente e justificado no confuso crime que depois deixou de ser crime. Passou-se por cima da constituição; áudios da presidência foram divulgados com aquiescência da justiça; se fez o que podia e o que não podia para que se concretizasse o “grande acordo nacional” que tinha como único objetivo estabilizar o funcionamento do motor da política brasileira apontando para um único culpado.

Outro capítulo do “grande acordo nacional” está em curso. São ditas reformas que retiram os direitos dos trabalhadores que, segundo eles, são “necessárias” por conta de uma crise financeira e sobrecarga do Estado. Já a dívida dos bancos privados, das grandes empresas e empresários, essas o perdão: combustível aditivado para motor da política brasileira.

Aí vem Joesley. Homem que abriu o capuz e apontou o dedo: 28 partidos. Entre eles PMDB (incluindo Temer), PSDB (incluindo Aécio), PSB, PP, PC do B, PSD, e (a peça solta) o PT...

O curioso foi que Joesley não apresentou sua denúncia à investigação pop da política brasileira. Não foi falar com o “Juiz Show”. Se bem que de lá, até o momento, tudo que se ouviu foi apenas barulho da peça solta. Da até a impressão que estão alinhados com o “grande acordo nacional”... (?)

Pois, o destino foi a Procuradoria Geral da República. E de lá soubemos do áudio de Temer autorizando o pagamento pelo silêncio de Eduardo Cunha, que a impressa já afirma que é inconclusivo, mas, que na verdade deixa claro que o Presidente quando o recebeu sabia do que ele estava falando e, portanto, foi complacente.

Soubemos, enfim, que Aécio é capaz de matar seus delatores... Soubemos que a ele foi destinado 2 milhões e que o próprio Joesley pediu pelo amor de Deus para que ele parasse com os pedidos. Afinal, “Quem não conhece o esquema do Aécio? ” – Disse Machado a Jucá.

O capuz se abriu. Mostrou-se o óbvio. Mostrou-se que a corrupção brasileira não é unilateral. O problema não está em uma peça, mas sim, no motor que move a política brasileira. Ficou claro que estamos diante de um sistema viciado que precisa ser transformado. Enfatizo: transformar não é liquidar.

O problema do Brasil não é a democracia. O problema é que que ela está a serviço do capital e de costas para o povo. Cabe a classe trabalhadora ir às ruas, defender uma reforma política, o fim do financiamento privado das campanhas e, principalmente, o restabelecimento da democracia.

E para isso, #ForaTemer#DiretasJá.

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