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Política

 
 
Papai Noel' de Ondina antecipa presentes para AL-BA e TJ-BA após pacote de austeridade
Fonte: Bahia Noticias

 

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O governador Rui Costa antecipou a celebração de Natal para, pelo menos, duas pessoas: os presidentes da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Angelo Coronel, e do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, Gesivaldo Britto. No último diário oficial antes do feriadão cristão, Rui autorizou a abertura de crédito suplementar para as duas instituições e os dois dirigentes agora terão menos problemas para fechar as contas em 2018. Os milhões saíram quando as atenções estavam dispersas e logo após o Executivo emplacar medidas de austeridade que atingiram, especialmente, o funcionalismo público. 

 

Na Assembleia, o governo contou com um empenho bem incomum dos deputados para aprovar rapidamente medidas impopulares sem qualquer tipo de constrangimento. O prêmio para o apoio de Coronel nesse processo veio por meio de R$ 67 milhões de verba orçamentária adicional. Assim, o futuro senador dorme tranquilo sem risco de ser alvo de investigação por improbidade administrativa. Afinal, as contas fechadas evitam que o futuro senador tenha uma mancha na gestão do Legislativo baiano.

 

A situação é completamente distinta de um ano atrás, quando Coronel tentava se viabilizar para a chapa majoritária nas eleições de 2018. Em 2017, a Assembleia devolveu R$ 555 mil ao governo - numa referência explícita ao número que o presidente da AL-BA usaria nas urnas. Agora, com a desculpa perfeita de um incêndio nas dependências do sede do Poder, ao invés de devolver, Coronel precisou passar o pires para Rui.

 

O caso do Judiciário não chega a ser tão diferente. Rui esticou ao máximo o limite para conceder os recursos de suplementação que já eram previstos desde o início do ano, quando os orçamentos ainda começavam a ser executados. A medida deixa o TJ-BA ligeiramente refém do governo, quando se esperaria a independência completa entre os Poderes. O governador sabia que as contas não fechariam sem o apoio dele e, com certeza, fez barganhas que justificassem a corda tão esticada. Porém tudo deve permanecer entre as paredes de gabinete, já que o Judiciário é bem menos alvo de observação de agentes externos - desde a imprensa à população. Foram R$ 149 milhões para a austeridade do TJ-BA.

 

Mesmo o Ministério Público da Bahia também não ficou para trás nas benesses natalinas de Rui. O orçamento do parquet ganhou um incremento de R$ 40 milhões, permitindo que Ediene Lousado siga sem tantas preocupações para fechar as contas. A recompensa vem com olhos menos atentos para eventuais ações pouco adequadas do Estado. Tudo dentro da normalidade das instituições republicanas, que afinal só funcionam mal quando o alvo é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o PT (contém alta dose de ironia).

 

O Papai Noel que reside no Palácio de Ondina foi bondoso com aqueles que deveriam ocupar o mesmo lugar que ele na hierarquia estatal. No entanto, independência entre os poderes é algo tão real quando o velhinho de vermelho - que em 2018 ficou azul em alguns lugares para evitar ser classificado como comunista e acabar perseguido pelo bolsonarismo.

 

Enquanto Rui, Coronel e Britto descansam o sono dos deuses, o funcionalismo público estadual aguarda também por um pacote de bondades. Talvez, com as medidas austeras, a população ganhe de brinde uma melhor prestação de serviços por parte do Estado. Provavelmente, não na mesma proporção dos milhões desembolsados para os privilegiados da AL-BA e da TJ-BA. Porém melhor migalhas do que nada... um consolo bem ruim para quem vive por aqui.

 

Este texto integra o comentário desta quarta-feira (26) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.

 

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